Uma frase, na frente da sala inteira, definiu o método que hoje encurta anos de tentativa e erro para quem está começando.
Eu não criei o Método CCE de fora. Eu já fui o aluno que travava.
Minha primeira cirurgia como interno foi uma colecistectomia convencional. Eu sabia anatomia. Sabia a técnica de livro. Desde que entrei na faculdade queria ser cirurgião.
E eu só não sabia onde colocar a minha própria mão.
Encostei o cotovelo no campo estéril. O cirurgião parou a cirurgia, olhou pra mim e disse, na frente de todos:
"Seu bisonho. Quem é você? Você não foi ensinado isso na faculdade, não?"
Saí dali com uma certeza: ou eu aprendia a me virar dentro do bloco, ou ia passar o internato inteiro como um fantasma de avental.
Comecei a anotar tudo. Cada erro. Cada padrão. Cada movimento da equipe sênior. Em meses, percebi que os erros não eram aleatórios. Tinham uma sequência. E uma sequência pode virar método.
Nos vinte anos que se seguiram, continuei observando o mesmo fenômeno em alunos diferentes, hospitais diferentes, turmas diferentes.
Os mesmos erros. As mesmas travas. As mesmas inseguranças.
Mas o que deu origem ao Método CCE foi uma pergunta que me acompanhou durante todo esse tempo:
Por que alunos inteligentes continuam travando dentro do centro cirúrgico, mesmo sabendo a teoria?
A resposta levou anos para ficar clara. Quando ficou, organizei num método.
Esse método é o que você acessa quando entra no Método CCE.